O ex-Policial Militar (PM) Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, que fugiu pela porta da frente de Bangu 8, em outubro, publicou vídeos na internet justificando sua fuga. Ele negou no início do depoimento a existência da milícia Liga da Justiça, mas depois confirmou sua participação no grupo que atuaria na zona oeste do Rio de Janeiro.
"Decidi fugir que minha família estava sendo ameaçada", disse Batman no vídeo. Ele negou, no entanto, que tenha pago R$ 2 milhões para que agentes carcereiros facilitassem sua saída da prisão.
Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado não foi localizada para comentar o caso.
Nos quatro vídeos postados, o ex-policial afirma que "a Liga da Justiça nunca existiu e que foi tudo uma criação da imprensa há dois anos". Segundo o miliciano, policiais e informantes do delegado Marcus Neves, da delegacia de Campo Grande, responsável por sua prisão e dos irmãos Guimarães, já estiveram ao seu lado. "Todos eles eram ligados a mim. Só colaram com ele (Neves) para tomar o que era meu", acusou.
Ricardo Teixeira da Cruz também contou que pagou R$ 50 mil a policiais que o encontraram para não ser preso.
Questionado por um entrevistador que está por trás da câmera, o miliciano negou a autoria da série de atentados dos últimos meses na zona oeste. "Resolvi dar essa entrevista porque eu quero que a Promotoria e Ministério Público procure investigar para comprovar que sou inocente", desabafou. "Eu não sou santo, mas se procurar peneirar, vão ver que toda a equipe do Marcus Neves está envolvida na sacanagem", incriminou.
De acordo com Batman, a fuga da prisão não teve como objetivo se vingar do bombeiro Carlos Alexandre Silva Cavalcante, o Gaguinho - morto a tiros em janeiro, quando tentava controlar o transporte alternativo na zona oeste. "O Gaguinho era meu inimigo, mas infelizmente não fui eu que o matei. Alguém furou a fila e passou na minha frente", completou no vídeo.
Batman garantiu em um dos vídeos se entregará à polícia, caso as autoridades tenham disposição de investigar suas denúncias.
Contradição
Em certo momento da entrevista, o miliciano se contradiz, ao ser perguntado se os dois lados da guerra seriam a Liga da Justiça e os ex-integrantes dela. Em resposta, ele confirma que luta contra os ex-integrantes da milícia, dando a entender que esta realmente existe. "Com certeza. De um lado estou tentando retomar o que era meu, de outro, estão ex-integrantes que me tomaram tudo após minha prisão", finalizou.
Redação Terra
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